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9 em cada 10 profissionais são contratados pelo perfil técnico e demitidos pelo comportamental

Levantamento da Page Personnel aponta que 90% dos colaboradores são desligados das empresas por conduta inesperada ou inapropriada; veja alertas que devem ser considerados quando houver problemas desencadeados pelo lado comportamental.


A inteligência artificial irá substituir formas de trabalhar, mas o maior assassino de empregos continua sendo a inteligência emocional - pesquisa de 2018 aponta que 91% dos profissionais são contratos por questões técnicas e demitidos por questões comportamentais. Em outras palavras, o profissional é contrato porque tem boa experiência na área, passou por bons projetos, cursos, mas se não sabe trabalhar em equipe, não tem atitude, não é colaborativo, não se relaciona bem com as áreas internas e com clientes, é cortado.


As competências técnicas podem ser fatores determinantes de entrada, mas as habilidades subjetivas de um profissional se mostram os fatores determinantes de manutenção - ou desligamento - do emprego.


Quando falamos de empreendedores, é necessário refletir: o quanto a falta de controle das suas soft skills podem arruinar o seu negócio?

Nove em cada 10 profissionais são contratados pelo perfil técnico e demitidos pelo comportamental. É o que aponta o levantamento da Page Personnel, consultoria global de recrutamento para cargos de nível técnico e suporte à gestão.


O estudo leva em conta as respostas de 1.400 executivos de recursos humanos de janeiro até agosto, de empresas dos setores de varejo, vendas, TI, propriedade e construção, marketing, finanças, engenharia e RH.

De acordo com Renato Trindade, gerente da Page Personnel, há muitos profissionais qualificados tecnicamente, com um currículo repleto de bons cursos e atividades complementares, mas tanto repertório não é suficiente para conquistar uma boa vaga.

"O profissional precisa ter uma forte inteligência emocional e buscar novas habilidades, como trabalhar em equipe, respeito ao próximo, inspirar e desenvolver pessoas. Muitos executivos acabam sendo atropelados pelo próprio ego e pagando um preço alto, muitas vezes acarretando em demissão”, explica.

Renato Trindade elenca 5 alertas que os profissionais devem considerar quando houver problemas desencadeados pelo lado comportamental: Curva de aprendizado em declínio (alerta: baixo desenvolvimento)

Quando foi a última vez que você adquiriu uma nova habilidade? Ou que enfrentou um desafio real? Se você não tem se sentido estimulado ultimamente, talvez seja melhor começar a pensar em um novo rumo para a carreira. Aprender com o trabalho é extremamente importante.


Chances de promoção fora do radar (alerta: estagnação) Permanecer estagnado na mesma posição por muito tempo pode afetar a satisfação e até a performance no emprego. Quando não há chance de promoção, as pessoas tendem a ficar desmotivadas. Quando isso acontece, o trabalho se torna uma obrigação. Trabalho é sempre trabalho, mas é possível e importante gostar daquilo que se faz. Caso isso não seja uma opção, é outro sinal para sair de onde está.


Dificuldades para ser autêntico (alerta: adaptação inviável) Você evita falar o que pensa no trabalho? O ambiente é tão engessado que você não consegue nem ter uma conversa relaxada com seus companheiros de equipe? Suas ideias sempre são imediatamente descartadas? Então, provavelmente, você já começou a se autossabotar. Quando paramos de ser autênticos, os problemas vão começar a surgir.

Quando não há liberdade para expressar minimamente as verdades, é muito difícil que haja uma boa combinação até mesmo com a cultura da companhia. No longo prazo, as chances de a companhia buscar alguém com perfil mais bem adaptado à realidade imposta é muito grande. Falta de autenticidade prejudica inclusive o potencial de liderança.


Problemas de saúde com frequência (alerta: estresse e somatização) Em casos mais sérios, o estresse ocasionado pelo trabalho pode ser o gatilho para vários tipos de complicações de saúde. Desde problemas de pressão até ataques de pânico e ansiedade, afetando de forma realmente negativa o cotidiano. O estresse pode ser considerado como elemento comum de qualquer rotina, até mesmo quando chega a níveis mais alarmantes.

Porém, quando ataques de pânico e ansiedade se tornam comuns, infelizmente é sinal de que não há outra alternativa. Não cabe julgamento, mas vale pensar em mudança. Saúde é prioridade. E outro detalhe: sem saúde mental e física, não existe alta produtividade. Quando as pressões externas refletem no corpo, ocorre o processo de somatização, um vilão para a vitalidade.


Dificuldades para se desligar dos problemas (alerta: riscos à reputação) Falar apenas sobre o trabalho pode ser um sinal de problema. O equilíbrio entre vida profissional e pessoal está cada vez mais em foco no mundo corporativo, e com um bom motivo. Se você não consegue tirar sua cabeça do local de trabalho, é provável que ele esteja demandando muito de você. Todos falam sobre a carreira com amigos e família, mas há sempre outros tópicos de conversa.

Além disso, uma pessoa que não está conseguindo se livrar dos problemas pode estar queimando a reputação perante colegas e gestores. Um profissional de alto nível pode se tornar aos olhos mais próximos alguém com baixa capacidade de lidar com crises. A reputação é um valor intangível, porém, crucial numa troca de trabalho. Não existe networking sem boa dose de reputação.


Fonte: G1

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